9 de fev de 2011

Revista Veja denuncia aumento da violência na Bahia e culpa governo Wagner

O Jornal Nacional trouxe uma reportagem sobre o crescimento da violência na Bahia, que explodiu sob a gestão do governador Jaques Wagner, do PT. Em abril do ano passado, como demonstrei aqui, eu já havia alertado para a situação dramática do Nordeste. No período em que o índice de homicídios no Brasil caiu segundo o Mapa da Violência, ele cresceu enormemente em sete dos nove estados da região — na Bahia, mais do que em qualquer outro. Vai por terra o mito de que crescimento econômico e aumento de renda, por si mesmos, reduzem a violência. O que melhora a segurança pública é eficiência da polícia. É prender bandido. E nem vou dizer que o resto é poesia porque poesia é coisa boa, e isso é só uma besteira, sintoma de uma antiga esquerdopatia. Quem já assistiu à reportagem do JN siga o texto depois do filme. Vi tudo direitinho e fiquei ainda mais preocupado. Direi por quê. Há uma correção a fazer — ou duas. O senhor de óculos e barba identificado como Maurício Barbosa, secretário de Segurança Pública, é, na verdade, o antropólogo Carlos Costa Gomes, do Observatório da Segurança Pública da Universidade Salvador. Barbosa, o verdadeiro secretário, é o que aparece depois, de terno marrom, prometendo instalar UPPs em Salvador, à moda do que se faz no Rio de Janeiro. Sei, sei… Minas que se cuide. Já digo por quê. Afirma o antropólogo: “ESSE CRESCIMENTO DA CRIMINALIDADE SE DEVE À INEFICÁCIA DO SISTEMA DE CONTENÇÃO DA VIOLÊNCIA, QUE ENVOLVE OUTRAS INSTÂNCIAS DO ESTADO, QUE NÃO É SÓ A POLÍCIA. NÓS TEMOS AÍ A EDUCAÇÃO, A SAÚDE, A ASSISTÊNCIA SOCIAL E A JUSTIÇA, QUE NÃO ESTÃO ATUANDO A CONTENTO”. Certo, doutor! Tudo tem a ver com tudo, sabemos. Fato é que a Bahia tinha 13 homicídios por 100 mil habitantes em 1997; em 2007, saltaram para 25,7 ; em 2010, chegaram a 36. Em 13 anos, um aumento de 200%. Certamente as áreas sociais não estão atuando a contento, como quer o doutor, mas não se chega a uma piora tão espantosa do quadro sem uma brutal ineficiência policial. A outra correção: a ONU considera que a violência é não-epidêmica quando há 10 mortos ou menos por 100 mil, não 12. A política de Jaques Wagner abandou o sistema dos módulos policiais, substituindo-os pela ronda móvel. Segundo o coronel da PM Sergio Luiz Baqueiro, é para dar “maior mobilidade” aos policiais e atender a todos, “não somente aquelas pessoas que moram junto ao módulo”. Entendi: Jaques Wagner tentou socializar a polícia e conseguiu socializar o crime. Não deixa de ser um petista muito típico, que diminui quando soma e soma quando diminui… Na campanha eleitoral, tanto ao Planalto como aos Bandeirantes, petistas tentaram dar aulas de segurança pública aos dirigentes paulistas. São Paulo, com 10,47 homicídios por 100 mil, tem menos de um quarto das ocorrências da Bahia e quase um terço das do Rio. Mas virá a solução mágica A secretaria de Segurança da Bahia já teria o mapa do narcotráfico e promete implementar, também ela, as UPPs. Entendo! Seguirá a política de José Mariano Beltrame, o secretário do Rio, que avisa a bandidagem com antecedência para que ela tenha tempo de fugir? Também ele, em nome do humanismo, vai evitar fazer prisões. Se for assim, Minas pode ser vítima de um duplo assédio, né? Corre o risco de receber parte dos bandidos que Jaques Wagner “exportará” da Bahia e parte dos que Sérgio Cabral já tenta exportar do Rio. Nunca antes na história destepaiz se viu algo parecido. Agora a moda é deixar bandido fugir para proteger a população! E olhem que Minas tem seus próprios problemas na área. Segundo o Mapa da Violência, em 2007, Belo Horizonte — onde foi assassinado William, o garoto que era jogador do Corinthians — tinha 49,5 homicídios por 100 mil. Estava, então, à frente de Salvador, que tinha 49,3. Wagner conseguiu elevar esse número para 60! Uma eficiência realmente espantosa! Aí grita o petralha: “Mas Jaques Wagner foi reeleito no primeiro turno, tá?” Tá, ué! A gente pode lastimar as decisões do povo, que erra feio às vezes, mas não contestá-las, não é mesmo? 
Por: Reinaldo Azevedo
Revista VEJA

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