29 de jun de 2011

A Corrupção no período eleitoral

O assunto escolhido para escrever essa semana não se difere muito do que eu optei quando escrevi o meu primeiro artigo, a falta de credibilidade dos políticos. Dessa vez trago um pouco mais de maturidade e conhecimento de causa que move o meu pensamento e, sem dúvida alguma, remete a sensação de dever cumprido, tentando instruir a sociedade e provar para a mesma que a descrença na política é uma ameaça ao seu próprio bem-estar, pois ela acaba se tornando um objeto real de manipulação e controle nas mãos dos que se interessam e fazem parte dessa arte de governar.
Apesar disso, não há como negar os fatos. A modernidade parece trazer uma verdadeira crise de ideais e perda da identidade de cada cidadão, chegando a índices absurdos como a compra de votos, o que demonstra a total falta de compromisso com o país e a verdadeira descrença condicionada por esses mesmos seres que estão comprando o seu voto. É inegável a ausência do Estado no que toca ao intervencionismo, podendo ser ele o coibidor de atitudes como essas, valorizando o civismo e a moral de cada cidadão que está sendo formado nas entranhas deste país. 

Na verdade o que vem se configurando de maneira assombrosa é o fato dos brasileiros se contentarem com muito pouco, acreditando que “migalhas” do governo Federal são “presentes” dados a eles, quando na verdade, se trata de manobra eleitoral para se eximirem de suas responsabilidades, por terem convicção que um discurso bem preparado trará para um aglomerado de pessoas o aconchego para o seu questionamento e sentem, com uma perspicácia ímpar, que logo depois eles errarão novamente votando nesta mesma pessoa que não lhe trás benefício algum, pelo contrário, trás a tiflose para essas pessoas. Isso parece se alastrar de maneira ininterrupta. 

Muitas vezes deixamos de eleger um político de credibilidade, com conhecimento e soluções para essas mazelas sociais, por conta de uma barreira que não permite que estendamos o olhar e veja uma melhoria no futuro, pois somos corrompidos constantemente e ainda nos consideramos espertos. No que tange ao campo das eleições, período em que os valores dos eleitores são postos à prova a todo o momento, veja o que diz José Ingenieros no livro O Homem Medíocre: “As jornadas eleitorais se convertem em grosseiras negociatas de políticos corruptos e de agenciadores de negócios. 

A sua justificação está a cargo de inocentes eleitores, que vão à paróquia como a uma festa.” Este mesmo trecho foi selecionado por Antenor Batista no livro Corrupção: o 5º poder. Perceba que o processo eleitoral foi muito bem delineado por Ingenieros, nos restando apenas policiar a nossa consciência e afastar dela qualquer tentativa de suborno, em troca de um voto. A venda do nosso direito ao voto só trará malefícios a nós mesmo, apagando qualquer tentativa de termos um futuro promissor. 

Afinal, quem delibera sobre ele não é digno de nossa confiança, além de ameaçar o futuro dos seus descendentes que viverão sob a batuta dos corruptos, por isso combata-os enquanto há tempo de atenuar este famigerado sistema, não permitindo que o mesmo se corrobore. 

Observação: Agradecimento a Felipe Ferraz, pois foi através de uma conversa informal com ele, bem como através dos seus questionamentos que surgiu a necessidade de escrever sobre este assunto.

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